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Donos de jornais e revistas de SC recusam repor inflação para jornalistas há dois anos sem reajuste

“Isso aqui é capitalismo”, diz representante patronal ao justificar que empresários amargam perdas de faturamento

A Negociação Coletiva dos jornalistas de Santa Catarina voltou à estaca zero com a intransigência dos representantes do Sindicato de Jornais e Revistas de Santa Catarina em aceitar ao menos a reposição da inflação para a categoria que está há dois anos sem reajuste. Após cinco rodadas de negociação e com acenos de avanços, na última reunião, realizada em 9 de julho, os patrões declararam impossibilidade de atender a pauta econômica.

A proposta patronal propõe “esquecer” a Negociação Coletiva de 2019, adiada por causa da pandemia, e de oferecer apenas 3,8% na data-base de 2021. A proposta representa praticamente um terço da inflação acumulada pelo INPC do período, que é de 10,24%. Na prática, a inflação real para os trabalhadores, que chegaram a ter que arcar com gastos extras no home office, sofreram com reduções de jornada e de salários, além de verem os preços dos itens mais básicos como transporte e alimentação dispararem, é muito maior que o INPC.

Representante dos empresários na mesa de negociação, o advogado Ary dos Santos, alegou que os empresários enfrentam dificuldades financeiras e disparou, durante a negociação, que “isso aqui é capitalismo”, negando qualquer possibilidade de os empresários aceitarem a proposta dos jornalistas.

Vale lembrar que a pauta inicial de reivindicações dos jornalistas continha 66 cláusulas. O reajuste salarial referente ao INPC do período de maio/19 a abril/20 (2,46%) e de maio/20 a abril/21 (7,59%), reestabelece o piso salarial para a jornada de 5 horas em R$ 2.649,38 e R$ 2.900,00, respectivamente a cada data-base, é a principal cláusula da negociação.
Mesmo assim, nos demais itens os jornalistas pedem melhores condições de segurança sanitária e de trabalho. Após as primeiras reuniões, foram destacadas 11 quesitos que incluíam: Cobertura de risco e proteção na pandemia, Teletrabalho, Estabilidade e auxílio-doença, Horas extras, Vale-alimentação, Licença maternidade, Adicional por tempo de serviço e Estágio.

“Justamente neste momento em que o jornalismo tem se mostrado instrumento fundamental para informação da população durante a pandemia e também se reafirmando como instrumento para exercício democrático, demonstrando a importância da imprensa profissional, os donos de jornais e revistas de Santa Catarina propõe a precarização da classe, obrigando os trabalhadores a terem que apelarem para bicos ou um segundo emprego para conseguirem complementar seus orçamentos. É um contrassenso”, concluiu o presidente do SJSC, Fábio Bispo.

Durante a reunião, os membros da mesa de negociação por parte do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina questionaram quanto a reposição salarial representaria nas contas das empresas, ou quanto foi a queda de faturamento, mas os empresários não apresentaram números. Dados do portal da transparência do Estado de Santa Catarina demonstram investimento pesado em muitas dessas empresas que se recusam a dar o reajuste salarial.

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