sábado, dezembro 3, 2022
InícioAÇÃO SINDICALDonos de jornais e revistas de SC recusam repor inflação para jornalistas...

Donos de jornais e revistas de SC recusam repor inflação para jornalistas há dois anos sem reajuste

“Isso aqui é capitalismo”, diz representante patronal ao justificar que empresários amargam perdas de faturamento

A Negociação Coletiva dos jornalistas de Santa Catarina voltou à estaca zero com a intransigência dos representantes do Sindicato de Jornais e Revistas de Santa Catarina em aceitar ao menos a reposição da inflação para a categoria que está há dois anos sem reajuste. Após cinco rodadas de negociação e com acenos de avanços, na última reunião, realizada em 9 de julho, os patrões declararam impossibilidade de atender a pauta econômica.

A proposta patronal propõe “esquecer” a Negociação Coletiva de 2019, adiada por causa da pandemia, e de oferecer apenas 3,8% na data-base de 2021. A proposta representa praticamente um terço da inflação acumulada pelo INPC do período, que é de 10,24%. Na prática, a inflação real para os trabalhadores, que chegaram a ter que arcar com gastos extras no home office, sofreram com reduções de jornada e de salários, além de verem os preços dos itens mais básicos como transporte e alimentação dispararem, é muito maior que o INPC.

Representante dos empresários na mesa de negociação, o advogado Ary dos Santos, alegou que os empresários enfrentam dificuldades financeiras e disparou, durante a negociação, que “isso aqui é capitalismo”, negando qualquer possibilidade de os empresários aceitarem a proposta dos jornalistas.

Vale lembrar que a pauta inicial de reivindicações dos jornalistas continha 66 cláusulas. O reajuste salarial referente ao INPC do período de maio/19 a abril/20 (2,46%) e de maio/20 a abril/21 (7,59%), reestabelece o piso salarial para a jornada de 5 horas em R$ 2.649,38 e R$ 2.900,00, respectivamente a cada data-base, é a principal cláusula da negociação.
Mesmo assim, nos demais itens os jornalistas pedem melhores condições de segurança sanitária e de trabalho. Após as primeiras reuniões, foram destacadas 11 quesitos que incluíam: Cobertura de risco e proteção na pandemia, Teletrabalho, Estabilidade e auxílio-doença, Horas extras, Vale-alimentação, Licença maternidade, Adicional por tempo de serviço e Estágio.

“Justamente neste momento em que o jornalismo tem se mostrado instrumento fundamental para informação da população durante a pandemia e também se reafirmando como instrumento para exercício democrático, demonstrando a importância da imprensa profissional, os donos de jornais e revistas de Santa Catarina propõe a precarização da classe, obrigando os trabalhadores a terem que apelarem para bicos ou um segundo emprego para conseguirem complementar seus orçamentos. É um contrassenso”, concluiu o presidente do SJSC, Fábio Bispo.

Durante a reunião, os membros da mesa de negociação por parte do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina questionaram quanto a reposição salarial representaria nas contas das empresas, ou quanto foi a queda de faturamento, mas os empresários não apresentaram números. Dados do portal da transparência do Estado de Santa Catarina demonstram investimento pesado em muitas dessas empresas que se recusam a dar o reajuste salarial.

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Most Popular

Recent Comments

Daniel A. Santos on Legislação dos jornalistas
Antônio Carlos Costa on As multidões e os protestos
FERNANDO MARGHETTI NUNES on Dez desejos para o jornalismo em 2016
leonelcamasao on Legislação dos jornalistas
Maria Tercilia Bastos on Nota de pesar
valmor on Convênios
Vilma Gomes Pinho on Convênios