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Perfil do Jornalista Brasileiro – características demográficas, políticas e do trabalho jornalístico é lançado em evento na UFSC

Os jornalistas brasileiros são uma categoria profissional estimada em 145 mil pessoas, predominantemente feminina, jovem e branca e que ideologicamente se autodefine majoritariamente como de esquerda (centro-esquerda, esquerda e extrema-esquerda), muito embora apenas 7,8% estejam filiados a partido político e somente um a cada três participe de movimentos sociais, associações ou organizações. A maioria atua em veículos de comunicação (mídia), tem carteira assinada e quase a totalidade (98%) dos jornalistas tem curso superior (40% com pós-graduação), sendo que 88,6% trabalham mais de cinco horas diárias. É uma categoria com baixo índice de sindicalização: um em cada quatro é filiado a alguma entidade sindical.

Estes foram alguns dos resultados apresentados pelos professores Jacques Mick e Samuel Lima, coordenadores de uma ampla pesquisa com 2.731 jornalistas realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política, em convênio com a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), cujo relatório foi lançado na última segunda-feira (6), na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Como assinalou o presidente da FENAJ, Celso Schröder, no prefácio do livro publicado pela Editora Insular, o “Perfil do Jornalista Brasileiro” atende a uma antiga necessidade do movimento sindical, reivindicada há décadas em diversos congressos de jornalistas. “A quantidade e a qualidade dos dados apontam para a possibilidade de produzir análises consistentes para implementarmos ações eficientes e transformadoras”, registra Schröder.

A explanação dos coordenadores foi seguida de comentários a cerca da relevância do trabalho tanto para o meio acadêmico quanto para o campo profissional. A professora do PPGSP, Maria Soledad Etcheverry Orchard, analisou o trabalho sobre o viés da Sociologia, apontando novas possibilidades de investigação da profissão. “É uma pesquisa que nos instiga a ir além e propõe comparações com perfis de jornalistas de outros países e até de outras épocas”.

Depois da intervenção do coordenador do Programa de Pós-graduação em Sociologia Política, professor Ricardo Gaspar Müller, que lançou provocações relacionadas à antiga rivalidade entre assessores de imprensa e jornalistas que atuam em veículos de comunicação, o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC (PosJor), Rogério Christofoletti, fez uma análise dos trabalhos feitos até agora e que buscam saber, afinal, quem é o jornalista brasileiro. Por fim, o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Valmor Fritsche, ressaltou o esforço dos pesquisadores e voluntários e a ampla participação dos colegas que contribuíram respondendo os questionários. “Esta pesquisa, que apresenta respostas para muitas das nossas perguntas, coloca também inúmeras interrogações e está a requerer de todos nós do movimento sindical uma leitura política que dê conta de toda a sua complexidade e sirva de parâmetro para a definição de ações futuras”, destacou.

O evento de lançamento foi realizado no miniauditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC, com apoio do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, e reuniu estudantes, professores, pesquisadores, jornalistas e sindicalistas, entre eles três ex-presidentes do SJSC: Sérgio Murillo de Andrade (que foi por dois mandatos também presidente da FENAJ), Celso Vicenzi e Rogério Christofoletti.

PESQUISA – Entre outros dados, o levantamento de 155 páginas constata que 59,9% dos jornalistas recebem até cinco salários mínimos, aproximadamente 50% trabalham mais de oito horas por dia e 27% trabalham em mais de um emprego. A pesquisa aferiu a distribuição dos profissionais por tipo de atividade: os que atuam principalmente na mídia são 55%, os que atuam em assessoria de imprensa ou outras atividades jornalísticas fora da mídia são 40%, e os que atuam como professores são 5%. Uma síntese dos resultados está disponível AQUI.

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