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Patrões recusam reajustar salários dos jornalistas pela inflação e insistem em proposta de arrocho

Empresas faturaram milhões durante pandemia, receberam incentivos fiscais e reduziram salários e jornadas; trabalhadores estão há dois anos sem reajuste

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina concluiu nesta segunda-feira, 19 de julho, a rodada de consulta à categoria e apresentou, em assembleia geral virtual no mesmo dia, a proposta do sindicato patronal para a Negociação Coletiva. Essencialmente, os patrões só contrapropuseram a renovação das cláusulas da Convenção Coletiva de 2019 e uma reposição de 3,8%, praticamente um terço da inflação do período negociado (10,24%).

Após seis rodadas de negociação, os donos de jornais recusaram a grande maioria das 67 cláusulas da pauta de reivindicações dos jornalistas, entre elas ajuda de custo para quem foi deslocado para home office, vale-refeição com valor mínimo estabelecido para toda a categoria e adicional por tempo de serviço. E mantiveram-se intransigentes em repor as perdas salariais provocadas pela inflação sem apresentar motivos convincentes.

O principal argumento dos empresários foi a “queda de faturamento”. No entanto, no mesmo dia em que os dois sindicatos se reuniram, uma das principais empresas do estado apresentou aos funcionários números positivos no caixa apurados no primeiro semestre de 2021.

Levantamento realizado pelo Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina mostra que só neste ano as empresas de comunicação de SC receberam mais de R$ 77 milhões em verbas publicitárias do governo do Estado (afora o faturamento com publicidades de empresas privadas, ALESC, prefeituras e Câmaras Municipais).

Além disso, durante a pandemia os empresários reduziram jornadas e salários em no mínimo 25% e receberam incentivos fiscais. Já os trabalhadores, além de se exporem aos riscos da pandemia para assegurar o direito da sociedade à informação de qualidade, amargaram uma inflação maior que a oficial no dia a dia.

A pauta de reivindicações dos jornalistas foi encaminhada ao Sindicato patronal no dia 23 de abril. Entre os pedidos constam o reajuste salarial referente ao INPC do período de maio/19 a abril/20 (2,46%) e de maio/20 a abril/21 (7,59%), reestabelecendo o piso salarial para a jornada de 5 horas em R$ 2.649,38 (retroativo a maio de 2020) e reivindicando piso de R$ 2.900,00 a partir de maio de 2021.

Na rodada de negociação do dia 19 de julho, os representantes do SJSC, na perspectiva de buscar um acordo, propuseram o pagamento parcelado da inflação tanto para os salários quanto para o piso, que ficaria em R$ 2.850,77, mas a proposta também foi rejeitada pelos empregadores.

Após a rodada de consultas em locais de trabalho, na assembleia geral virtual a categoria aprovou a busca do diálogo com o segmento patronal visando o acordo, mas, diante da intransigência que vem se verificando, aprovou-se, também, a criação de uma campanha para expor a intransigência patronal nas redes sociais e a busca de alternativas de mediação via Ministério Público do Trabalho e/ou pela via judicial.

Veja a íntegra das duas propostas:

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