quarta-feira, dezembro 7, 2022
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No Dia Internacional da Mulher, SJSC presta homenagem à jornalista Elaine Borges, uma das primeiras sindicalizadas

Na década de 70, quando nas redações os homens ainda eram predominantes, o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina registrava pouco mais de 7% de mulheres associadas – a cada 40 profissionais filiados, apenas três eram do sexo feminino.

A partir da década de 80, esse quadro começa a mudar. Já em 2006, dados do Ministério do Trabalho apontavam que 52% das vagas de jornalista eram ocupadas por mulheres, mostrando uma tendência feminina para este mercado e a conquista de cada vez mais espaço nas redações.

Para as profissionais que atuaram no passado, não foi nada fácil alcançar a credibilidade e o respeito hoje desfrutados. Há relatos de violência, assédio moral e muitas desigualdades no ambiente de trabalho. As profissionais tinham que se esforçar para que não fossem subestimadas nas redações por chefes, colegas e até pelos seus entrevistados. O momento exigia das mulheres posturas constantes de afirmação da capacidade intelectual, muita dedicação, persistência e luta para a quebra deste paradigma histórico.

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o SJSC presta homenagem a todas as jornalistas, na figura de Maria Elaine Alves Borges, uma das primeiras jornalistas associadas ao Sindicato. Natural de Rosário do Sul (RS) e atuante no Jornalismo desde 1969, Elaine relata sua trajetória com orgulho, pois sua competência e dedicação a levaram ao reconhecimento e ao sucesso profissional.

Com o início na redação do Jornal “A Notícia” de Porto Alegre, Elaine Borges, se destacava entre os jornalistas homens, predominantes na época, pelo seu trabalho. Sua competência profissional lhe rendeu inúmeros convites. Ainda em Porto Alegre, atuou como repórter de “O Globo” durante um ano. Em 1972, mudou-se para Santa Catarina e foi trabalhar no extinto jornal “O Estado”, onde permaneceu alguns meses. Lá, junto com alguns colegas, fez o primeiro movimento grevista do jornalismo catarinense, que reivindicava melhores condições de trabalho. Sem sucesso com a manifestação, Elaine se desligou de “O Estado”, aceitando o convite do “Jornal de Santa Catarina”, de Blumenau, para trabalhar como repórter na sucursal de Florianópolis. Na ocasião, Elaine recorda que teve como chefe Bernadete Santos Viana, também uma das primeiras filiadas ao SJSC: “Bernadete foi a primeira chefe de sucursal do Santa. Naquele tempo, isso era raridade para as jornalistas, que ocupavam cargos quase sempre menores”.

Elaine confessa que no começo da carreira sentiu bastante dificuldade pelo fato de ser mulher, mas logo a sua ousadia e enfrentamento diante de qualquer tipo de censura a fez conquistar respeito. “Em entrevistas e nas raras coletivas que aconteceram na época eu fazia perguntas diretas, agindo profissionalmente, que muitas vezes incomodavam; eu não cedia às pressões e cumpria a minha função de repórter”, lembra a jornalista. Quando questionada quanto ao papel da mulher na imprensa, Elaine refuta: “Esse debate é insustentável atualmente, essa divisão não cabe mais; hoje em muitas redações as mulheres atuam como maioria. Eu nunca tive esse tipo de preocupação. Pensava simplesmente que sou uma profissional, jornalista e estou cumprindo com a minha função”.

Para ela, o tratamento desigual observado há 40 anos, é encontrado com muito menos frequência hoje em dia, mas ainda persiste. Quando ainda trabalhava no jornal “O Estado”, ela recorda que em 1972 foi escalada para cobrir o clássico Avaí e Figueirense, para fazer fotos da reação da torcida. Na época, era raríssimo uma repórter trabalhar cobrindo futebol. “Pelo inusitado, virei notícia”, cita a jornalista em seu artigo “Mulheres e Jornalismo”, publicado em 2005, na coletânea Jornalismo em Perspectiva. Na época, também assumiu o posto de correspondente em Santa Catarina de “O Estado de S. Paulo”. “Em alguns episódios, lideranças locais solicitaram a minha demissão – pedido nunca aceito pela direção do jornal”, relata a jornalista. Elaine quebrou as barreiras do machismo na redação. Chegou a presidir, por dois mandatos, o Clube dos Repórteres Políticos de Santa Catarina.

Em 1979, Elaine Borges passou em concurso interno para compor a redação na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, onde trabalhou até 1991. Nesse meio tempo a jornalista passou por grave doença renal. Em 1982, ela assumiu a editoria de política do Diário Catarinense, mas o problema de saúde se agravou, tendo que passar por dois transplantes de rins. Aposentada em 1995, lança o livro “Vozes da Lagoa” (em co-autoria com Bebel Orofino e Suzete Sandin), um resgate das memórias dos primeiros habitantes da Lagoa da Conceição.

Hoje, aos 69 anos de idade, com a saúde melhor e estabilizada, Elaine Borges se diz satisfeita com a sua atuação profissional, por ter superado as dificuldades vividas pelas jornalistas na época. Exemplo de luta e determinação, Elaine deixa uma mensagem para todas as profissionais que atuaram, atuam e atuarão no Jornalismo: “Queridas colegas, não se submetam às imposições patronais, exijam dignidade no trabalho, cumpram a ética na profissão, trabalhem sempre pensando na coletividade. Esse é o nosso dever”.

Kalyne Carvalho
Jornalista Profissional – 0004107SC
Assessora de Imprensa – Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina
(48) 3228-2500

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