0,00 BRL

Sem produto(s) no carrinho.

Negociação salarial de 2026 entra em fase decisiva com defesa de novo piso para jornalistas de Santa Catarina

A campanha salarial dos jornalistas catarinenses chegou a um momento decisivo. Após a aprovação unânime da pauta de reivindicações pela categoria e a realização da primeira rodada de negociações com o sindicato patronal, o debate sobre a valorização profissional ganhou força dentro e fora das redações.

A principal reivindicação da campanha é a criação de um novo piso salarial de R$ 5.170 para uma jornada de 150 horas mensais. O valor foi definido a partir de estudo técnico que demonstra a defasagem histórica dos salários pagos aos jornalistas de Santa Catarina em relação ao custo de vida e à remuneração praticada em outros estados.

A negociação ocorre em um cenário de perda contínua do poder de compra da categoria. Nos últimos anos, os jornalistas catarinenses acumularam sucessivas campanhas salariais sem ganhos reais e convivem hoje com um dos pisos salariais mais baixos do país. Enquanto a responsabilidade da profissão aumenta, acompanhando as transformações do ambiente digital e a ampliação das demandas nas redações, a remuneração permanece distante da realidade econômica do estado.

Na primeira rodada de negociação, as empresas apresentaram uma proposta de reajuste limitada à reposição do INPC, de 4,11%. Na prática, isso representa um acréscimo de aproximadamente R$ 139 sobre o piso atual, sem qualquer ganho real para a categoria. O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina rejeitou a proposta por considerá-la insuficiente para enfrentar a defasagem salarial acumulada ao longo dos últimos anos.

A discussão ocorre em um momento em que o setor da comunicação recebe um volume expressivo de recursos públicos destinados à publicidade institucional. Dados do Portal da Transparência mostram que o Governo de Santa Catarina empenhou mais de R$ 500 milhões em despesas com publicidade entre 2023 e 2026. Somente em 2025, foram R$ 216 milhões empenhados, o maior valor da série recente.

Para o Sindicato, os números evidenciam um contraste. Enquanto os veículos de comunicação continuam recebendo investimentos significativos em publicidade oficial, os jornalistas —responsáveis pela produção do conteúdo que sustenta a atividade das empresas— recebem apenas uma proposta de recomposição inflacionária, sem valorização efetiva da profissão.

Desde o início da campanha, o Sindicato tem intensificado a mobilização nas redes sociais, chamando atenção para a distância entre a remuneração da categoria e o custo de vida em Santa Catarina. O piso atual representa cerca de R$ 100 por dia de trabalho, valor considerado incompatível com a responsabilidade da profissão e com a realidade econômica do estado.

A campanha salarial de 2026 também procura ampliar o debate para além das questões remuneratórias. Segundo o Sindicato, salários defasados, equipes reduzidas e sobrecarga de trabalho afetam diretamente as condições de produção do jornalismo. Com menos tempo e estrutura para apurar informações, investigar temas complexos e acompanhar o poder público, toda a sociedade perde.

Por isso, a defesa de um novo piso salarial é apresentada não apenas como uma reivindicação trabalhista, mas como parte de uma discussão mais ampla sobre a valorização do jornalismo profissional e do direito da população à informação de qualidade.

As negociações entre o Sindicato dos Jornalistas e o sindicato patronal terão continuidade nas próximas rodadas. Até lá, a categoria segue mobilizada em defesa de uma convenção coletiva que reconheça a importância do trabalho jornalístico e recupere parte das perdas acumuladas nos últimos anos.

 

Matérias semelhantes

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais lidas