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Jornalistas reclamam de coletivas virtuais do governador. SJSC propõe coletivas presenciais com segurança e democracia

Desde que foi decretada quarentena em Santa Catarina, em 17 de março, o governador Carlos Moisés (PSL), tem realizado coletivas de imprensa diárias. No entanto, a presença dos jornalistas não é permitida, segundo a Secretaria de Comunicação, para evitar aglomerações na sala de imprensa.

No sistema adotado, os jornalistas podem enviar perguntas por WhatsApp e, segundo os critérios, as demandas são “priorizadas por ordem de recebimento”. Também é informado que devido ao tempo limitado “terão preferência as perguntas ainda não respondidas na coletiva”. O limite é de no máximo três perguntas por veículo ou grupo de comunicação.

Ocorre que a metodologia usada acaba gerando uma corrida das redações e dos jornalistas para enviarem as perguntas o quanto antes. O processo já foi apelidado de “gincana de imprensa”. Normalmente, os avisos da coletiva são distribuídos as 15h, momento em que começam a serem enviadas as perguntas.

Os jornalistas têm reclamado que o envio de perguntas antes da coletiva inviabiliza o contraponto das questões se são tratadas no próprio encontro, que passa a ter formato de informe do que coletiva.

Ainda há reclamações, de jornalistas de grandes e pequenas redações, de censura prévia e edição das perguntas que são lidas durante a coletiva. Temas sensíveis têm sido deixado de fora e tratados em paralelo com os jornalistas.

Na NSC, afiliada da Globo em SC, as redações têm se reunido no início da tarde para discutirem estratégias para contextualizar as perguntas com seis horas de antecedência de forma que elas sejam objetivas e atuais até o momento da coletiva.

Na redação do ND+, afiliada da Record, jornalistas relataram problemas semelhantes. “Eles não respondem nossas perguntas e não nos dão explicações”, informou um repórter do grupo.

No que se refere a entrevistas coletivas, o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, a partir das manifestações da categoria, na perspectiva de contribuir para o aperfeiçoamento deste processo:

  1. reconhece a importância deste momento e a necessidade de valorizar iniciativas que assegurem a saúde pública;
  2. propõe a realização das entrevistas coletivas em ambiente bem higienizado (auditório ou sala ampla) e que garanta o distanciamento mínimo de 2 metros entre os profissionais;
  3. que além do envio de perguntas antes da coletiva via whatsapp, seja possibilitado espaço para perguntas presenciais pelos jornalistas, assegurando-se a liberdade de imprensa.

 

Entendemos que, neste momento de crucial importância para a população catarinense e brasileira, não é recomendável filtrar informações distinguindo-as em temas sensíveis ou não. É imprescindível assegurar a mais ampla circulação de dados, ações e orientações para garantir o direito da sociedade à informação de qualidade.

 

Florianópolis, 01/04/2020

Diretoria do SJSC

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