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Sindicato de Alagoas repudia fechamento de O Jornal e garante apoio aos trabalhadores

O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas divulgou nota condenando a decisão da empresa editora de O Jornal, de Maceió, que fechou as portas no dia 21 de novembro, depois de 18 anos de circulação, deixando mais de 30 jornalistas desempregados. O veículo, de propriedade do deputado federal João Lyra – considerado o congressista mais rico do Brasil -, vinha atrasando o pagamento dos salários e enfrentando outros problemas na operação dos negócios. O Grupo João Lyra é o terceiro maior grupo empresarial de Alagoas; além de O Jornal, controla cinco usinas de açúcar e álcool (duas delas em Minas Gerais), uma empresa de táxi aéreo, uma rádio e uma indústria de fertilizantes, a Adubos JL.

Solidário com os colegas alagoanos, o SJSC (Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina) espera que todos os direitos dos trabalhadores sejam garantidos e que esta decisão radical por parte da empresa seja repensada, em respeito aos empregados e suas famílias, à sociedade daquele estado e, principalmente, aos leitores. Leia a nota oficial emitida pelo Sindjornal e FENAJ:

Sindjornal repudia fechamento de O Jornal e garante apoio total aos trabalhadores

O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, representando todos os seus filiados, e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) vêm a público manifestar repúdio contra a decisão do empresário e deputado federal João Lyra, de encerrar as atividades de O Jornal, deixando desempregados mais de 30 profissionais que, ao longo de 18 anos, construíram uma história respeitada e premiada dentro da empresa.

Contudo, nos últimos meses, esses trabalhadores vinham enfrentando uma realidade nada gloriosa, com atrasos no pagamento dos salários e um “rodízio de parcelamentos” com cotas de até R$ 250, o que gerou um quadro tenebroso: trabalhadores endividados; recorrendo a empréstimos bancários; com dificuldades até de pagar o transporte para se deslocar ao próprio trabalho; e vivendo diversas situações constrangedoras, porque até mesmo o plano de saúde descontado dos salários dos funcionários, a empresa deixou de repassar durante meses, inviabilizando a realização de consultas e exames médicos.

Mesmo diante dessa situação, a categoria buscou, incansavelmente, a negociação com a direção da empresa e fez inúmeras concessões para evitar a radicalização. Por sete meses, mesmo vivendo os mais diversos dramas pessoais, os profissionais de O Jornal aguentaram a situação de penúria e continuaram cumprindo suas jornadas de trabalho e sua função social de levar a informação à sociedade com profissionalismo e respeito. Mas em troca, receberam promessas não cumpridas, ameaças de demissão e até de fechamento do jornal, que acabaram se concretizando.

Na sexta-feira (16 de novembro), consumidos pelo desgaste emocional e até físico, decorrente da falta de compromisso demonstrada pela direção da empresa, os jornalistas de O Jornal aprovaram por ampla maioria, em assembleia geral, a decretação de greve imediata, exigindo o pagamento da última parcela do salário de setembro – que foi dividido em quatro vezes – e do salário do mês de outubro, que não havia sido pago até quarta-feira (21/11).

Em função da greve, a edição do sábado (17), não foi publicada, mas a resposta da empresa veio com a edição de domingo, fechada de forma precária, com uso irregular de estagiários, freelancers e colegas que, apesar de terem votado a favor da paralisação, decidiram, lamentavelmente, furar a greve. Numa nota de capa e no editorial, O Jornal deu a lamentável notícia do encerramento das suas atividades, um golpe para os jornalistas que fizeram a história da empresa e para a sociedade alagoana, esquecendo o lema que sempre estampou: “Respeito ao leitor”.

A intransigência por parte da empresa do deputado federal João Lyra nos leva a questionar: É esta a postura de um homem público perante a legítima mobilização de trabalhadores pelo direito básico constitucional, de receber o devido salário pelo trabalhado realizado? É assim que o parlamentar trata a Constituição que ele jurou defender no Congresso Nacional?

Não foram os profissionais e nem o Sindicato, os responsáveis pelo fechamento de O Jornal, como querem fazer crer alguns dirigentes do periódico, em seus discursos terroristas. A crise que há muito tempo afeta a empresa é decorrente de erros administrativos acumulados e repassados em sucessivas gestões, dos quais são vítimas, principalmente, os trabalhadores.

Ao Sindicato dos Jornalistas e à Fenaj cabe o papel inalienável de defesa intransigente dos trabalhadores, que vem sendo cumprido com firmeza no apoio e solidariedade aos profissionais que estão perdendo seus postos de trabalho, e na luta para garantir que todos os seus direitos sejam preservados. Ao mesmo tempo, lamentam o encerramento das atividades desse periódico e almejam que essa decisão seja repensada, em respeito aos trabalhadores, à sociedade alagoana e, sobretudo aos leitores.

SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DO ESTADO DE ALAGOAS – SINDJORNAL

FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS – FENAJ

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