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Falta de respeito, intransigência e arrogância: na visão dos patrões, é assim que se trata jornalista

Na concepção dos donos de jornais e revistas de Santa Catarina, jornalista vale muito pouco, mais precisamente 2,5 salários mínimos. É o que atesta a última proposta patronal para o piso de ingresso com jornada mensal de 150 horas (R$ 1.714,00). Após conhecerem a posição do SJSC de que a proposta é insatisfatória diante das reivindicações dos jornalistas, a representação patronal recusou-se a prosseguir com o diálogo na Negociação Coletiva 2013.

Procurado mais uma vez na semana passada pelo SJSC, na perspectiva de agendamento de nova reunião para superação do impasse, o representante dos patrões foi taxativo: “Não tem conversa, não tem acordo”. Capitaneado pela RBS, o sindicato dos jornais e revistas permanece com uma postura intransigente – inclusive recuando em relação à outra proposta ruim, de fixação do piso em R$ 1.728,00 – que, na prática, acabará impondo a muitas empresas um significativo passivo trabalhista, pois o reajuste dos salários dos jornalistas é retroativo a 1º de maio.

Indicadores de desempenho positivo no setor, como o crescimento médio de 7% nos investimentos em 2012, balanços positivos como o da própria RBS (lucro líquido de R$ 106,5 milhões) e a substituição da contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha (que inclui jornais, revistas emissoras de rádio e TV) por uma alíquota de 1% sobre o faturamento não entram no cômputo patronal quando se trata da remuneração dos jornalistas. Ampliar a exploração sobre quem produz informação qualificada para a sociedade é a palavra de ordem.

“Os patrões nunca foram tão patrões como agora”, denuncia o presidente do SJSC, Valmor Fritsche, em relação à postura dos negociadores. “A maneira como os representantes das empresas estão tratando a categoria é revoltante; faz lembrar o Brasil de antanho, quando preponderava a fina flor do atraso, liderada por uma aristocracia agrária e insensível – a única diferença é que hoje o latifúndio é o da comunicação”.

Para Fritsche, o discurso empresarial que faz a apologia da modernidade tecnológica e da responsabilidade social é incapaz de esconder as práticas anacrônicas, que submetem os profissionais à permanente espoliação, patrocinada por uma política salarial injusta e desumana: “Por deterem o poder de fogo dos veículos de comunicação, acham-se distantes do alcance da opinião pública, cuja posição estão confortavelmente acostumados a moldar a seu favor”. O presidente do SJSC acredita, no entanto, que cedo ou tarde os reis da mídia ficarão nus diante do público.

A diretoria do SJSC se reunirá na próxima semana com a Comissão de Negociação dos Jornalistas e a assessoria jurídica da entidade para definir novos encaminhamentos com relação à Negociação Coletiva 2013.

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