Docentes do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) divulgaram manifesto reafirmando o compromisso com a educação pública, gratuita e socialmente referenciada, com a convivência democrática e com o exercício independente do jornalismo. Os professores manifestam preocupação com a escalada de ameaças violentas contra universidades federais e estudantes, que têm exigido ações de reitorias, do Ministério Público e da Polícia Federal. Também repudiam o crescimento dos ataques à imprensa durante o primeiro turno das eleições, incluindo agressões a profissionais, sobretudo mulheres, vítimas de insultos sexuais misóginos e incitação à violência física. O texto destaca que a universidade pública é patrimônio da sociedade brasileira, pois forma profissionais qualificados e produz conhecimento e tecnologia indispensáveis ao desenvolvimento do país. Os signatários defendem que a autonomia, a liberdade acadêmica, a pluralidade de ideias e o respeito às diferenças são condições para a missão de produzir conhecimento e formar cidadãos críticos. Por fim, reiteram que a liberdade de imprensa e o direito à diversidade de informações são fundamentais para uma sociedade plural e justa, e repudiam a violência e o arbítrio que ameaçam o exercício democrático da crítica. Universidades e imprensa livres, afirmam, são garantias do direito de saber e de decidir.
VEJA A ÍNTEGRA DO TEXTO
Docentes de Jornalismo em defesa da universidade pública, da democracia e da liberdade de imprensa
Nós, professoras e professores do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, reafirmamos nosso compromisso com a educação pública, gratuita e socialmente referenciada, a convivência democrática, a liberdade de expressão e o exercício independente do jornalismo, dentro dos limites estabelecidos pelo Estado Democrático de Direito.
Causam-nos imensa preocupação a escalada de ameaças violentas disseminadas contra universidades federais e estudantes, as quais têm exigido ações de reitorias, do Ministério Público e da Polícia Federal. De igual modo, provocam-nos repulsa os dados divulgados pela Coalizão em Defesa do Jornalismo que comprovam o crescimento dos ataques à imprensa, durante o primeiro turno das eleições, além de agressões a profissionais, sobretudo mulheres, vítimas de insultos sexuais misóginos e incitação à violência física.
A universidade pública é patrimônio da sociedade brasileira porque contribui tanto para a formação de profissionais qualificados quanto para a criação de novas tecnologias, indispensáveis para o desenvolvimento do país. Sua missão de produzir conhecimento, formar cidadãos e promover o pensamento crítico exige autonomia, liberdade acadêmica, pluralidade de ideias e respeito às diferenças. Ameaças, intimidações e tentativas de silenciamento contra suas comunidades comprometem não apenas o ambiente universitário, mas também a vida democrática. Da mesma forma, a liberdade de imprensa e o direito à diversidade de informações são condições fundamentais para a construção de uma sociedade plural e justa, assim como o respeito à verdade e o combate à desinformação.
Compreendemos que a democracia depende do respeito às instituições, da igualdade de oportunidades para todos e do debate franco e honesto de ideias. Por isso, repudiamos a violência e o arbítrio que ameaçam o exercício democrático da crítica em um momento crucial da história do nosso país. Universidades e imprensa livres são garantias do direito de saber e de decidir.
Florianópolis, 20 de outubro de 2026.
Anderson Luiz Condor Baltar
Aureo Mafra de Moraes
Cárlida Emerim
Carlos Locatelli
Daiane Bertasso Ribeiro
Daisi Irmgard Vogel
Elias Machado
Fabiana Quatrin Piccinin
Flávia Garcia Guidotti
Isabel Colucci Coelho
Ivan Luiz Giacomelli
Jorge Kanehide Ijuim
Leslie Sedrez Chaves
Luciana Paula Bonetti Silva
Maria José Baldessar
Maria Terezinha da Silva
Natália Huf
Raquel Ritter Longhi
Rita de Cássia Romeiro Paulino
Rogério Christofoletti
Samuel Pantoja Lima
Tattiana Teixeira
Valci Regina Mousquer Zuculoto
Valentina da Silva Nunes



