Em assembleia realizada nesta quarta-feira, 22, os jornalistas de Santa Catarina aprovaram por unanimidade a pauta de reivindicação para um novo piso salarial da categoria. A decisão referenda a pauta de reivindicação construída pela diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina (SJSC), e cobra um novo piso de R$ 5.170 para jornada de 150 horas mensais, com base em estudo técnico independente elaborado pela Mulinari Assessoria Econômica.
A aprovação consolida um posicionamento coletivo da categoria em torno da necessidade de recomposição real dos salários. O piso atual, fixado em R$ 3.399,54 pela CCT 2025/2026, está mais de R$ 1.500 abaixo do valor considerado adequado pelo estudo, evidenciando uma defasagem estrutural acumulada ao longo dos anos.
A pauta aprovada pelos trabalhadores será enviada às empresas de comunicação do estado.
O levantamento da Mulinari demonstra que o problema não se resume à inflação, mas a uma distorção específica da remuneração dos jornalistas no estado. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) indicam que o salário médio de entrada em Santa Catarina gira em torno de R$ 3.568,77, cerca de 40% inferior à média nacional, que se aproxima de R$ 5 mil . Em algumas funções, como redação técnica e editoração, os valores são ainda mais baixos.
O estudo também compara a remuneração dos jornalistas com a de outras profissões que exigem formação superior e competências semelhantes, utilizando metodologia baseada na tipologia europeia ESCO e análise estatística de similaridade. Os resultados mostram que ocupações com perfil técnico equivalente —como relações públicas, profissionais da informação, marketing e outros— apresentam salários significativamente superiores em Santa Catarina, sem que haja diferença relevante em relação ao restante do país .
Essa constatação reforça que a baixa remuneração não decorre de características do mercado regional, mas de uma distorção específica da categoria. “As empresas de comunicação catarinenses não pagam menos porque o estado paga menos, mas porque há uma estrutura salarial historicamente rebaixada para jornalistas”, aponta o estudo.
Com base nessa análise, os economistas calcularam um piso salarial regional a partir da média ponderada dos salários de entrada de profissões equivalentes. O resultado indica que o piso adequado para a categoria deveria estar próximo de R$ 5 mil —valor que, atualizado pela inflação até 2026, chega aos R$ 5.170 reivindicados na pauta .
Outro eixo do estudo trata do custo de vida em Santa Catarina e desmonta um argumento recorrente do setor patronal: o de que diferenças regionais justificariam pisos mais baixos. A análise mostra que, embora existam variações pontuais entre capital e interior, como maior peso do aluguel em Florianópolis e do transporte no interior, o comportamento da inflação ao longo do tempo é praticamente equivalente entre as regiões . Isso sustenta a viabilidade de um piso unificado em todo o estado.
Para o SJSC, a aprovação unânime da pauta reforça o caráter estrutural da reivindicação. “Não se trata de aumento, mas de correção de uma distorção histórica que desvaloriza a profissão e compromete as condições de trabalho dos jornalistas”, aponta o sindicato.
A pauta aprovada mantém todas as demais cláusulas da convenção coletiva vigente e concentra a negociação na recomposição do piso salarial como prioridade central da campanha de 2026. A comissão de negociação será composta por Fábio Bispo, Silvia Agostini, Cristina De Marco, Marcelo Siqueira, Janine Koneski, Hilton Maurente e Gilvan França, com apoio da assessoria jurídica do sindicato.
Com a deliberação da assembleia, o sindicato deve iniciar as negociações com o setor patronal nas próximas semanas.


