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Tumulto em visita de comitiva à antiga sede do DOI-Codi no Rio

Bolsonaro-dedinhoHouve em confusão durante a visita de uma comitiva de parlamentares e representantes de comissões da Verdade e do Ministério Público, nesta segunda-feira, 23 de setembro, às instalações do prédio que abrigava o Destacamento de Operações de Informações-Centro de Defesa Interna (DOI-Codi), no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio. O tumulto ocorreu quando o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), que não faz parte da comissão e não estava na lista dos integrantes da visita, tentou forçar a passagem e entrar no local.

Bolsonaro, o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), da Subcomissão da Verdade, Memória e Justiça do Senado Federal, e Wadih Damous, presidente da Comissão da Verdade do Rio se desentenderam. O deputado, que teria atingido Rodrigues com um soco no estômago, conseguiu entrar nas dependências, mas não acompanhou a comitiva.

“É uma provocação o Bolsonaro estar aqui. Ele não vai entrar com a comitiva porque não tem nada a ver com a nossa pauta, que é a busca pela verdade”, disse Wadih Damous.

Bolsonaro, por sua vez, disse que sua presença é importante para que haja debate. “Minha presença não é provocação. Essa Comissão da Verdade do Rio não aceita o contraditório, quer ser unanimidade”, afirmou o deputado, que ainda opinou sobre as torturas realizadas no antigo prédio. “Tortura é arma de guerra e se pratica no mundo inteiro”.

O deputado federal negou a agressão. “Eu apenas o empurrei. Ele não tem autoridade nenhuma para dizer quem pode ou não entrar num prédio militar”. O deputado afirmou que “ficaria com vergonha de ter dado um soco nele [Randolfe Rodrigues] e não o ter nocauteado.”

O grupo de aproximadamente 60 pessoas esteve no local, na Tijuca, Zona Norte da cidade, com faixas e cartazes. O Doi-Codi unificava a repressão política no regime militar. Ele funcionava num imóvel de dois andares no interior do I Batalhão da Polícia do Exército e foi o principal centro de torturas durante a ditadura.

O intuito da visita era verificar a possibilidade de transformar o prédio, que já serviu ao Doi-Codi, em um centro de memória da ditadura militar. O mesmo foi feito em São Paulo, na antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde funciona, hoje, o Memorial da Resistência, e em centros de tortura na Argentina, no Uruguai e no Chile.

Além do senador Randolfe Rodrigues e de Wadih Damous, estiveram na visita ao Batalhão o senador João Capiberibe (PSB-AP), a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, senadora Ana Rita (PT-ES); a presidente da Subcomissão da Verdade Memória e Justiça da Câmara Federal; a deputada federal Janete Capiberibe (PSB-AP), membro da Frente e da Subcomissão da Memória, Verdade e Justiça na Câmara; o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara; Jaime Mitropolos, Procurador Regional dos Direitos do Cidadão (RJ); Marcelo Cerqueira e Nadine Borges, representantes da Comissão Nacional da Verdade; e Álvaro Caldas, representantes da Comissão da Verdade Estadual Do Rio de Janeiro.

Por Igor Waltz
Com informações do jornal O Dia, da EBC, da revista Fórum e do blog do senador Randolfe Rodrigues.

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