InícioCRÍTICA DE MÍDIAAprasc critica Cacau Menezes por "objetificação da mulher"

Aprasc critica Cacau Menezes por “objetificação da mulher”

Reprodução da coluna de Cacau Menezes, 10 de setembro de 2015.

A Associação dos Praças de Santa Catarina (Aprasc) criticou o colunista Cacau Menezes e o Grupo RBS, por conta da foto de uma policial publicada no Diário Catarinense de 10 de setembro. Na imagem, a policial aparecia de costas, sob os dizeres: “Opinião é unânime: a qualidade da PM de Santa Catarina é a melhor do Brasil”.

A associação considerou que a publicação incita à cultura da mulher como objeto sexual, e consequentemente, a cultura do estupro. “O colunista e seu empregador, além de objetificarem a policial, causando-lhe enormes transtornos vexatórios, transformando-a em alvo de piadinhas machistas e misóginas, atingindo sua família, seu filho, expôs uma agente de segurança cujo treinamento a capacitou a estar nas ruas para proteger a sociedade, preparada para o enfrentamento da criminalidade”, diz a nota, assinada pelo presidente da entidade, Elisandro Lotin.

No Facebook, a publicação da Aprasc já atingiu cerca de 80 mil pessoas, e mais de 4.600 curtidas, comentários e compartilhamentos.

A Aprasc ainda classificou o caso como “reincidência” do Grupo RBS, ao lembrar que, em 2014, o Diário Catarinense publicou um suplemento publicitário de famoso clube de streap tease localdestinado ao público estrangeiro que compareceu ao Congresso da Fifa em Florianópolis.

Em sua coluna na edição de 11 de setembro,  Cacau Menezes afirmou que publicou a imagem de uma profissional em serviço sem fazer “qualquer comentário de mau gosto ou apelativo”, que sempre publicou imagens de mulheres nas mais variadas situações, “tudo na brincadeira” e que vivia em um país que aboliu à censura. “Minha intenção, ao mostrá-la ontem, aqui no jornal e na TV foi, primeiramente, manter o nível desta coluna, e depois, elogiar um ser humano, inclusive da PM, sempre criticada pela mídia em geral”.

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Resposta de Cacau Menezes no DC de 11 de setembro de 2015.

Nota de repúdio ao Grupo RBS e ao seu colunista Cacau Menezes

A Associação de Praças de Santa Catarina (APRASC) repudia com veemência a exposição e uso da imagem de policiais mulheres, acompanhadas de narrativa carregada de incitação à cultura da coisificação da mulher e, consequentemente, do estupro, nos veículos de comunicação da RBS (Diário Catarinense e RBS TV). Não há escusas, pois que sequer valor jornalístico tem, para a inconseqüência do colunista Cacau Menezes bem como do Grupo RBS, de quem este senhor é empregado desde que a RBS aportou em terras catarinas na década de 80 do século passado, para ampliar seu império de comunicação.

A postura revela, no mínimo, desleixo editorial nos veículos da RBS, e reincidente, pois no ano passado, suplemento especial do Diário Catarinense para o Congresso da Fifa denominado Welcome to Floripa (Bem vindo a Florianópolis), publicou na capa e contracapa publicidade de um famoso clube de striptease local, cuja foto trazia várias mulheres de costas, usando fio dental. É prova de irresponsabilidade, principalmente para a RBS TV, uma concessão pública, num país onde uma mulher é estuprada a cada quatro minutos e 15 são assassinadas por dia, pelo simples fato de serem mulheres; em que, a muito custo das forças dos movimentos feministas e de direitos humanos, se conseguiu inserir efetivamente, nos últimos 13 anos, uma política de governo, em nível federal, que visa justamente mudar este contexto, em que além de serem mortas e violentadas, são humilhadas em seus locais de trabalho, recebem 30% a menos, em média, do que homens nos mesmos cargos e diariamente são submetidas ao assédio na rua, por onde quer que passem.

O colunista e seu empregador, além de objetificarem a policial, causando-lhe enormes transtornos vexatórios, transformando-a em alvo de piadinhas machistas e misóginas, atingindo sua família, seu filho, expôs uma agente de segurança cujo treinamento a capacitou a estar nas ruas para proteger a sociedade, preparada para o enfrentamento da criminalidade. Criminalidade esta que poderá se achar com total liberdade para impingir duplo “castigo” à PFem, por ser mulher e policial.

Do colunista, tal comportamento não é surpresa, é praxe, desde sempre. E o Grupo RBS contraria todos os princípios éticos que alardeia em seus briefings e consegue a façanha de descontextualizar a si próprio, na medida em que, por serem seus veículos de comunicação afiliados, repetidores da Rede Globo, foram seus canais de televisão que transmitiram, em abril último, matéria do Fantástico sobre pesquisa realizada por solicitação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/Ministério da Justiça), quer é comandada por uma mulher, a advogada e mestre em Direito Constitucional, Regina Miki.

A pesquisa Mulheres na Segurança Pública foi realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Núcleo de Estudos em Organizações e Pessoas (NEOP) da FGV, entre 12 e 16 de fevereiro de 2015. Dos 13.055 profissionais que responderam o questionário, 40% afirmaram já ter sido ou ainda são vítimas de assédio sexual e/ou moral, praticado, em mais de 74% dos casos, por superiores hierárquicos.

O programa global ainda entrevistou agentes de segurança femininas que passaram pelos traumas e lutam por justiça. Naquele mês, por sugestão da Anaspra, presidida pelo Cabo Elisandro Lotin, também presidente da Aprasc, foi criado um Grupo de Trabalho pela Senasp/Ministério da Justiça, integrado por entidades de classe representativas da área de segurança, para elaborar uma cartilha orientativa sobre assédio sexual e um plano de divulgação desta nas instituições de segurança pública, militares e civis.

Os resultados da pesquisa geraram ainda a realização do 1º Seminário Mulheres na Segurança Pública – Assédio sexual, moral e violência no trabalho, realizado pela Aprasc em maio, voltado às policiais militares e civis. O evento foi amplamente divulgado aos veículos de comunicação catarinenses pela Assessoria de Imprensa da Aprasc, mas, não houve qualquer interesse destes veículos.

Por fim, a Aprasc informa que está tomando as devidas providências judiciais cabíveis ao caso, dando total apoio à Pfem atingida pela inconseqüência e irresponsabilidade do Grupo RBS e seu colunista, e, através dela, a todas as policiais e bombeiras militares.
Florianópolis, 10 de setembro de 2015
Cabo Elisandro Lotin de Souza
Presidente da Aprasc

 

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