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Dia do jornalista: Sonhos e luta transformam a realidade

“Cada ser humano recebe a anunciação e, grávido de alma, leva a mão à garganta
 em susto e angústia. Como se houvesse para cada um, em algum momento da vida, a 
anunciação de que há uma missão a cumprir. A missão não é leve. Cada homem é
 responsável pelo mundo inteiro”. (Clarice Lispector)

Há pessoas que, individualmente, promovem ações pequenas e que se tornam grandes, provocando mudanças na sua aldeia e no mundo. Há categorias profissionais que, pela natureza do seu trabalho, estão continuamente contribuindo para que as pequenas e grandes ações possam ser transformadoras. Hoje, 7 de abril, Dia dos Jornalistas, a Federação Nacional dos Jornalistas e seus 31 Sindicatos de Jornalistas prestam homenagem a cada jornalista e ao conjunto da categoria brasileira. Somos, individual e coletivamente, responsáveis pela missão que assumimos: informar à sociedade e constituir cidadania.

No dia consagrado nacionalmente à categoria, a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas reafirmam que o Jornalismo é um bem público essencial à democracia e não existe Jornalismo sem o profissional Jornalista. Somos aqueles que acompanham os fatos e produzem um conhecimento específico, o da realidade social imediata. Sem esse conhecimento, os cidadãos não podem formar juízos próprios nem atuar política e socialmente.

Somos aqueles que sonham com um mundo mais justo, mais democrático e mais fraterno e que se colocam na luta para que o sonho se torne realidade. Para isso, fazemos enfrentamentos diários nos nossos locais de trabalho, sempre em defesa da informação de qualidade, plural e diversa, produzida sob os princípios da teoria, da técnica e da ética jornalística.

Somos aqueles que têm em seu ofício o dever de questionar, investigar, criticar e expor as mazelas da sociedade, mas igualmente de difundir melhorias e avanços conquistados. No cumprimento de nosso papel de denunciar, algumas vezes somos ameaçados e agredidos; na difusão de fatos positivos, somos desrespeitados e acusados de não estar praticando Jornalismo.

Somos aqueles que, debaixo de sol ou de chuva, nos fins de semana e feriados, estão sempre a postos para a urgência dos fatos. Tanto esforço e tanta dedicação nem sempre são reconhecidos, a começar pelos baixos salários. Mas não desistimos, porque acreditamos que a informação jornalística é transformadora e sabemos que temos a responsabilidade social de produzi-la.

Somos aqueles que resistem às muitas tentativas de se desqualificar o Jornalismo, tratando a produção de informação jornalística com entretenimento, ficção e mera opinião. O Jornalismo continua e continuará necessário, enquanto houver democracia, ainda que haja mudanças na sua forma de produção e, principalmente, de difusão.

Somos aqueles que, verdadeiramente, lutam pela liberdade de expressão e de imprensa. Sabemos que a liberdade de expressão é um direito individual, consagrado a todos os cidadãos, mas sabemos da nossa responsabilidade de elevar esse direito individual à condição de direito coletivo, garantindo a diversidade e pluralidade de vozes na esfera pública.

No Dia do Jornalista, como categoria, reafirmamos nossos compromissos profissionais e pedimos o apoio da sociedade brasileira para a reconquista da regulamentação da profissão, com a aprovação da PEC que restitui a exigência do diploma de Jornalismo para o exercício profissional. Pedimos também o reconhecimento da importância do Jornalismo e do papel social dos Jornalistas. Acreditamos que somos sempre modificados pelo que sonhamos.

Federação Nacional dos Jornalistas.
Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina
Brasília, 7 de abril de 2016.

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